domingo, 7 de março de 2010

Conversa com São José

HORA SANTA COM SÃO JOSÉ

Salve, querido São José, Pai Nutrício de Jesus e Esposo da Virgem Maria, nosso pai e Patrono da Igreja Católica!

Agora que volto o pensamento para ti, fico a imaginar como tu eras, querido pai. Não te vejo como um “velho”, como muitas vezes és pintado pelos artistas. Vejo-te um homem maduro, saudável, forte, de bela compleição física, talhado pelo trabalho duro e diário que praticavas. Olho também para tua alma. Quão bela, pura e santa não deveria ser tua alma, preparada pela Trindade Santíssima para tão nobre e fundamental missão: acolher, proteger, cuidar e nutrir o Filho Único do Eterno Pai, Nosso Senhor Jesus Cristo, bem como ser o companheiro, amigo e auxiliador da Virgem Puríssima no lar de Nazaré.

Penso quão santo homem, cumpridor dos deveres, pacífico, manso, modelar, bom e religioso judeu não deves ter sido para merecerdes o belo título “varão justo”, que São Mateus te deu!
Se a Santíssima Virgem, como Mãe verdadeira de Jesus, tinha que ser imaculada, tu também, como pai adotivo do Verbo Humanado, tinhas que ser um homem muito santo, visto que encabeçarias aquela casa sagrada, pedaço do Céu sobre a terra!

Além do mais, ó santo varão de Deus, tu serias o próprio representante do Eterno Pai, assumindo a figura e função de pai perante os teus parentes, amigos e diante de toda a sociedade judaica. Jesus mesmo, Filho Eterno de Deus Pai, muitas vezes foi nomeado e reconhecido como o “filho de José” ou “filho do carpinteiro”. Somente um homem como tu, completamente consagrado e dedicado a Deus, poderia ser capaz de assumir essa missão. Por isso, com toda a Igreja, creio e confesso que fostes castíssimo e virginal em toda a tua vida e convívio com tua esposa Maria, Mãe de Deus, por quem nutrias profundos sentimentos de amor puríssimo, respeito, veneração e reverência!
Ó São José, quão bela não deve ter sido tua vida, feita de muitas alegrias mas também de trabalho, lutas e dores!

Imagino o que sofrestes quando começastes a perceber que tua santíssima noiva, Maria, apresentava nítidos sinais de gravidez! O que pensar de tua amada Maria? Como julgá-la ou condená-la já que estavas plenamente convicto de sua fidelidade, pureza e virgindade consagrada? Porém, tu não eras um tolo e bem sabias como uma jovem engravida... Que dolorosa batalha não deve ter sido travada em tua alma! Qualquer um imediatamente já teria pensado o pior e apresentado Maria ao repúdio e condenação públicos! Mas não! Foste heróico, preferiste fugir, abandonar teus compromissos, jogar teu nome na lama e cair em desgraça perante os cidadãos de Nazaré do que ousar macular o bom nome e consideração de Nossa Senhora! Foste um verdadeiro herói! No auge do sofrimento, no teu “calvário” particular, Deus te envia um anjo para te consolar e te confirmar na fé. A tua Esposa Virginal esperava o Tesouro dos tesouros, o Esperado de Israel, o próprio Messias prometido!
Ó São José, como não deves ter ficado feliz! Também, quanta confusão e santo temor em tua alma! Talvez tenhas pensado: “como Deus se dignou escolher-me, pobre carpinteiro, para ser pai adotivo”? Quantas lágrimas de júbilo e amor não deves ter derramado em tuas preces e na serena contemplação de tua Esposa gestante, a Arca da Nova Aliança! Ali, diante de teus olhos, todas as Escrituras estavam se cumprindo. Ali, a esperança dos santos patriarcas e profetas! Ali, a salvação de Israel!

Os dias se passavam... Tua casa sendo preparada com amor e desvelo para a chegada do Messias bendito. Com certeza construístes com tuas próprias mãos um gracioso berço para acolher Aquele cujos Céus não podem conter: o Senhor e Rei do Universo! Porém, Deus Pai mais uma vez testa a fibra de seu santo varão: chega a Nazaré a ordem do imperador romano. Todos tem que sair de suas casas e empreender viagem para suas cidades de origem.

Qual “novo Abraão” tu não reclamas da ordem – “sai de tua terra” – e confias em Deus. Tu não exiges nada Dele, como muitas vezes fazemos em nossos problemas e dificuldades. Todos os teus planos familiares são desfeitos e preparas a brusca saída. Observas que tua Santíssima Esposa já se encontra em gravidez avançada, esperando a qualquer momento o nascimento do Salvador, porém, não murmuras. Tu vais a Belém, terra natal do rei Davi. No caminho deve ter vindo à tua memória a profecia de Miquéias: “E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo (Miquéias 5,2)”. Tua alma deve ter sossegado. Estavas em paz. Deves ter pensado: “nossos amigos e parentes certamente nos acolherão”. Ó São José, Deus já lhe preparava uma nova e dura prova! Já sabias, de acordo com as profecias de Isaías, que o Messias seria o Servo de Javé, o Servo Sofredor, porém jamais imaginarias o quanto era necessário que Jesus nascesse em total pobreza, humildade e praticamente oculto de todos! Sei que não acreditavas e nem esperavas um “messias guerreiro”, como os demais judeus, porém aquela prova era dura e humanamente incompreensível. Sim! O teu Jesus, Deus e Senhor, foi colocado numa manjedoura, em palhas, entre animais! Como deves ter feito tudo para reparar a frieza da humanidade diante da vinda de seu Remediador com atos heróicos de amor, reparação, louvor e adoração! Teu coração puríssimo estava em uníssono com o Coração Imaculado de Maria. Como teus olhos não devem ter vertido lágrimas generosas de amor e emoção contemplando o Divino Infante, o Emanuel, bem ali, diante de ti, frágil e pequeno, precisando dos teus cuidados e dos de Maria! Ó mistério da graça: naquele momento, tu e Maria eram o novo Céu de Jesus!

Fatos maravilhosos foram sucedendo-se: o canto dos anjos, a visita dos pobres e simples pastores, a adoração dos magos do oriente, a cerimônia da circuncisão no qual o Menino foi marcado na carne como membro do povo de Deus, derramando seu Sangue pela primeira vez, a cerimônia de nomeação do Menino com aquele Nome Santíssimo revelado pelo anjo na Anunciação e em teu sonho revelador, nome esse dado por ti, São José, como pai putativo de Jesus e a apresentação daquele preciosíssimo dom a Javé no templo de Jerusalém. Quantos momentos felizes, não foi São José? Estavas certamente cheio de júbilo, como bom e religioso judeu como eras por tão belos acontecimentos!
Porém, mais uma prova se aproximava... A profecia dita por Simeão a Maria Santíssima se cumpriria: a vida de Jesus começava a manifestar que seria sempre marcada pela incompreensão, não aceitação e perseguição por parte de muitos.

Estavas tranquilamente dormindo. Tudo parecia estar em paz. De repente um anjo lhe avisa em sonhos: “pegue o Menino e sua Mãe e vão para o Egito, pois Herodes procura matá-lo”! Ó querido São José, quanta dor para um coração como o teu: doce, meigo, cândido e sensível. Como não deves ter acordado “de um salto”, o coração a bater disparado com essa notícia! Quantos “porquês” não deves ter dirigido ao Senhor, não com revolta, mas como um pai zeloso com a segurança do filho Jesus.

Duro exílio! Mais uma vez a história de Israel é revivida na Pessoa de Jesus. A Sagrada Família vai para o Egito. Que se passou por lá? Que fatos lhes ocorreram em sua estada naquelas terras? Não sabemos. Os Evangelhos se calam. Talvez em sinal de silencioso respeito e penitência por essa desfeita dirigida ao Filho do Homem, à sua Mãe e pai adotivos: terem que fugir para terras estranhas para escapar da morte. Uma coisa podemos concluir pai São José: certamente continuastes a servir ao Senhor Deus com o teu trabalho, com tua oração constante, com tua paciência e com tua fé e confiança inabalável na Providência Divina. Quanta glória, quanta satisfação não proporcionastes a Deus com tua vida e comportamento exemplares! Quantos méritos, São José, quantas graças para serem derramadas no mundo por suas mãos! Estavas sempre unido a Maria no serviço do Senhor: na oração, no trabalho e na adoração contínua ao mistério do Verbo Humanado que habitava contigo sob o mesmo teto e estava sob teus cuidados de pai!

O tempo foi passando, na simplicidade de tua vida doméstica e de carpinteiro. Muitas vezes penso, São José, no quanto teu trabalho era feito com esmero. Não sei se eras um “gênio do trabalho em madeira”. Isso não me importa. O que sei é que tudo fazias em espírito de oração, colocando naquilo que fazias para sustentar e alimentar Maria e Jesus todo o teu amor e carinho. Arrisco-me até a pensar que aquelas mesas, cadeiras ou móveis que construías, quais relíquias santas que eram, já portavam consigo algo da graça de Deus como o fazem os sacramentais da Igreja. Penso que ao lado de cada objeto desses ficava de “plantão” um anjo em atitude de veneração. Tu já eras um santo, um grande santo quando estavas na terra. Além do mais, também aqueles objetos tinham sido feitos por Jesus, Nosso Senhor, o Criador do Universo, não por um ato divino de Seu poder infinito, mas como homem verdadeiro que era.

Creio também que eras um homem muito bem quisto na cidade egípcia que escolhestes para morar. Como devias ser um bom judeu, bom vizinho, um exemplar membro da comunidade, um homem que vivia perfeitamente as bem-aventuranças futuramente pregadas por Jesus. Eras um homem da paz, da mansidão, da pobreza de espírito, da pureza e da misericórdia. Quantos não deves ter tocado com o teu bom exemplo e palavras de conselho. Não fostes um rabino ou pregador de púlpitos, porém o teu olhar, o teu sorriso, tua voz certamente tocaram os corações endurecidos de muitos. De ti irradiava aquela graça da qual o teu coração estava cheio. Tuas orações feitas com Jesus e Maria, no lar sagrado, eram ungidas e chegavam cheias de gozo e méritos no seio da Trindade augustíssima. Sim, estavas unido ao teu filho Jesus em Sua missão salvífica. Será que depois, no futuro próximo, quando algum apóstolo ou discípulo de Jesus chegou para evangelizar aquele país já não encontrou doces recordações de tua passagem por lá? Sei que são especulações que jamais saberemos neste mundo, porém não impossíveis.

Bem, um belo dia, lá no Egito, mais uma vez o anjo veio falar contigo em sonhos. Perguntava-me: por que o anjo não dava seus avisos a Maria? Por que só aparecia para ti em sonhos? Consideremos a primeira pergunta. Realmente, na ordem da graça, Maria supera-te imensamente, por ser Mãe verdadeira de Deus e Rainha de tudo que foi criado por Ele. Porém, naquela casa, tu eras o chefe, o guardião, o tutor do Menino Deus. Agora compreendo bem que era para ti mesmo, glorioso São José, que todo respeito e todo assunto de ordem familiar, isto é, no que tocasse a decisões e diretrizes a serem tomadas na casa, eram de tua responsabilidade. Isso não sou eu que digo. O Céu mesmo manifestou isso claramente quando enviava um anjo em sonhos só para ti. No tocante a segunda pergunta, creio que o método de aparições “em sonhos” eram uma escolha divina. Somente cabe a Deus a explicação exata disso. Porém arrisco um palpite, se o senhor, São José me permitir.

Tu eras o homem da humildade e da vida espiritual escondida, somente conhecida pelo Senhor e por Maria. Já vivias continuamente unido a Ele em cada momento, no trabalho, na oração e nos cuidados do lar. Não tinhas tempo para “interrupções” causadas por aparições nem mesmo angélicas. Além do mais, nas ocasiões em que um anjo foi-te enviado, era para avisar que necessitavas sair logo, imediatamente, às escondidas, na madrugada, sem que ninguém notasse ou percebesse. Se a notícia da partida fosse anunciada “de dia” ou “de tarde”, passarias o resto do dia preocupado, interromperias o teu trabalho e oração e certamente a notícia “vazaria” para os vizinhos, como dizemos hoje em dia. Não iria dar certo, não é, São José? Será que estou errando muito com essas minhas conclusões?

Bem, continuando, finalmente voltas para Nazaré! Herodes, o cruel rei da Judéia, agora recebia a justa punição por tantas crueldades. Empreendes o caminho de volta, trazendo o Cristo, o “novo Moisés”, do Egito. Tudo para que se cumprissem as Escrituras Sagradas. Voltas para tua querida Nazaré, para tua casinha santa. Quantas saudades! Quantas lembranças! Lágrimas generosas derramam-se de teus olhos. Quanta alegria por parte dos teus parentes e amigos! Sim, tu eras querido, São José! Como não querer-te bem? Imagino-te amado por todos! Tua santidade impunha respeito, veneração e comoção. Moços, velhos, mulheres e crianças têm por ti grande apreço.

Com grande alegria e, diria, “santo orgulho”, tu deves ter apresentado o teu amado Jesus a todos e cada um de teus parentes e conhecidos. “Como é belo, robusto e de boa altura esse menino!”, alguém disse. “Vejam o filho de José, como é bem comportado e educado!”, alguém exclama. “Também, puxou o pai!”, alguém completa. Certamente, no pensamento de todos terá ocorrido o seguinte pensamento: “feliz és tu, José, por tão bom menino; dar-te-á muitas alegrias!”. Falavam profeticamente das imensas e incalculáveis alegrias eternas de que um dia gozarias, no Céu, ao lado de Jesus...

Em Nazaré, bem cedo começastes a levar o Menino à sinagoga. A Torá, o Livro da Lei, e os livros dos profetas eram lidos e comentados com respeito e veneração. Ali, contigo, São José, estava o próprio Iahweh, o Adonai altíssimo! Tu bem sabias disso. Mas calavas... Tu silenciavas e meditavas. Mais uma prova de tua santidade!

Tu eras um homem do trabalho, ó José. Ali, em tua casa, funcionava a tua oficina, o local sagrado de onde tiravas o sustento de Jesus e de Maria. Jesus deve um dia ter-te dito: “pai, ensina-me o teu ofício de carpinteiro”. Ó São José, mais uma vez o teu coração deve ter sido invadido pela emoção e confusão: “Como? O Criador do Céu e da Terra me pedindo que eu Lhe ensine como trabalhar a madeira”? Jesus, “adivinhando” os pensamentos do santo pai, deve ter respondido: “que toda a vontade de meu Pai Celeste seja cumprida”. Percebendo então, nas palavras de Jesus, que assim era para ser, aceitastes a tarefa ensiná-Lo o ofício na carpintaria. Assim, naquela casa de Nazaré, transcorreu uma das mais belas páginas na vida de Jesus: Ele, o próprio Deus do Universo, “aprendendo” humildemente a fazer mesas, bancos e cadeiras. Como seremos capazes de entender toda a simplicidade de nosso Deus? Em Jesus, o Deus infinito torna-se pequeno, Deus imortal torna-se passível, Deus eterno torna-se presente no tempo, Deus riquíssimo torna-se pobre! Tento imaginar, São José, a profundidade de tuas meditações, no tocante a esses fatos, e não consigo. Vias Jesus igual a nós em tudo, menos no pecado. Jesus comia, dormia, banhava-se, trabalhava, suava, calejava as mãos, etc. Transbordava em santidade, porém, ocultava sua infinita glória. Tudo era mistério! Porém, tu acreditavas plenamente nEle, mesmo sem teres visto nenhum dos inúmeros prodígios que Ele realizaria em sua futura vida pública. “Felizes aqueles que crêem sem ter visto!” (João 20, 29b), dirá um dia o Senhor Ressuscitado a São Tomé. Será que Ele não pensava em ti, fidelíssimo José, naquele momento?

Tua família era muito religiosa. Tu eras um santo judeu, praticante da Lei, por amor, cumpridor de teus deveres. Jesus, como todo menino e pré-adolescente judeu, foi educado por ti na fé judaica, especialmente na leitura orante da Torá, na participação do culto e cerimônias prescritas por Moisés. Aproximava-se o dia do “Bah-Mitzvah” de Jesus, dia no qual o jovem é examinado sobre seus conhecimentos relativos às Escrituras Sagradas, conhecimento esse obrigatório a todo homem judeu. Com quanta alegria não deves ter preparado a ida da Família Santíssima a Jerusalém! Jesus, agora com doze anos, seria finalmente interrogado pelos doutores da Lei de acordo com os costumes.
Creio, São José, que em nenhum momento esboçastes “autoconfiança” no sucesso de Jesus. Tua humildade era imensa e sabias que Jesus, como as demais crianças de Israel, se comportaria como elas no momento do teste. E assim foi. Jesus respondeu às perguntas feitas pelos sacerdotes e escribas a respeito da Lei. Deves tê-lO abraçado cheio da alegria! Jesus tinha sido admitido plenamente ao culto na sinagoga. Hinos de louvor e adoração à Pessoa do Pai Eterno devem ter sido entoados por ti, por Maria e pelo divino Menino Jesus. Toda a Sua Vontade estava sendo cumprida na vida da Sagrada Família.

Prepara-se a volta para Nazaré. Como era costume naquela época, os homens e as mulheres se dividem em caravanas separadas para a viagem. As crianças escolhiam se vinham com as mães ou com seus pais. Jesus não estava contigo, São José. Certamente pensastes: “está com Maria”. Empreendestes caminho tranquilamente, ainda louvando a Iahweh pela maravilhosa visita ao Templo que fizestes com tanta devoção. Porém, à noite, quando as famílias novamente se juntavam para o jantar e para o descanso, eis que vem a Virgem Santíssima perguntar-te por Jesus. Difícil é para nós avaliar e quantificar o susto, o desalento e a angústia sentidos por ti e por Maria ao perceberem que Jesus não estava nem com um e nem com outro. O que deves ter pensado: “Ó Maria, o que aconteceu? Onde falhamos? Por que isso nos está acontecendo? Será que alguém está com Jesus? Será que algo de mal lhe ocorreu?” Entre lágrimas e soluços procurastes pelo Menino em todas as caravanas, voltastes a Jerusalém, fostes na casa de algum conhecido. O Evangelho de São Lucas nos fala que procurastes por Ele durante “três dias” (Lucas 2, 46). Finalmente, acharam-nO no Templo, “sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os” (Lucas 2, 46). Não era mais o Bah-Mitzvah. O Pai incumbira Jesus de manifestar aos homens sua sapiência extraordinária de Filho de Deus e Sabedoria Encarnada. Jesus, humanamente falando, bem sabia de teu sofrimento bem como o de Maria, no tocante a seu aparente “desaparecimento”, porém, Deus Pai queria manifestar a ambos o quanto Jesus era dEle e vindo ao mundo para fazer Sua Vontade Eterna. Diante da indagação de Maria, Jesus responde com uma aparente “secura” o conhecido “por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lucas 2, 49) manifestando, qual Mestre que é, o quanto por vezes a Vontade do Pai é incompreensível e até dolorosa, porém necessária e importante de ser cumprida. O que Jesus perguntou ou respondeu àqueles sábios e doutores da Lei, não o sabemos. O evangelista se cala. O que importa é o que ele coloca a seguir: que o senhor, São José, e Maria Santíssima, naquele momento, “não compreenderam o que Ele lhes dissera”. Porém, que “em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens (Lucas 2, 50-52) ”. Isto é, que passada aquela prova de fé e de confiança nos desígnios divinos, a Sagrada Família retornou à sua “rotina” de vida santa em comum, na qual Jesus era plenamente submisso e obediente a ti, bem-aventurado José, obtendo com isso infinitos méritos perante Deus Pai.

O tempo “voa”. Jesus cresce a cada dia. Torna-se um belo jovem e aproxima-se de sua idade adulta. Percebes, São José, o quanto Ele vai ficando “diferente”. Jesus intensifica seus momentos a sós com Deus Pai, ficando horas a fio em profunda oração. Sabes muito bem que Ele é o Messias e o teu santo coração aperta em dor. Sabes que Ele irá sofrer muito e ser rejeitado, porém, tua sensível alma desfalece de dor ao pensar em tais coisas. “Como suportarei isso, Maria, como suportarei ver Jesus sendo desprezado e escarnecido pelos homens?”. Maria te ouve e chora. Sim, Deus nosso Pai bem sabe que tu não tens condições de ver o teu amantíssimo Jesus passar pelo que Lhe espera.
A “solução” não se faz esperar. Jesus já tem em torno de vinte e nove anos. Começas a apresentar sinais da derradeira doença. Ó São José, quando me recordo das vezes que a doença ou a provação bateu em minha porta, envergonho-me. Comparado a ti, quem sou eu, santo pai? Moravas com Jesus, Deus do Universo, e com Maria, Mãe de Deus. Bem podias pedir por tua saúde ou pedir que nunca sofresses, porém, nada disso ocorreu. Recebes a doença, a fraqueza física, a cruz cotidiana, não como um “castigo” ou “maldição”, como dizem muitos que se denominam cristãos, seguidores do Crucificado, sem verdadeiramente ser. Tu acolhes a doença como um dom de Deus, como uma oportunidade para dar glória e honra a Ele e como um meio de santificação ainda maior.

Ficas doente. Jesus mesmo veio ao mundo para nos salvar e curar, especialmente do pecado, e para sofrer conosco a nossa própria dor, exercendo sua misericórdia infinita, isto é, colocando em Seu Coração Santíssimo todas as nossas fraquezas, doenças e pecados. Assim disse o profeta Isaías: “em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos...” (Isaias 53, 4). Assim, como teu Salvador misericordioso, Jesus coloca-se diuturnamente a teu lado, em teu leito de dor e contigo ora ao Pai. Certamente nosso Salvador ofereceu, entre lágrimas de amor, de gratidão e de saudade, toda a tua vida ao Pai Eterno. Eras uma das primícias de sua morte e cruz que futuramente ocorreriam. Maria Santíssima, também, imbuída de sentimentos de profundos de amor e gratidão por ti, bem-aventurado santo, deve ter derramado copiosas lágrimas por causa de tua partida que se aproximava. Tu, consolado pela presença de teus infinitos amores, ardendo em chamas vivas de caridade, entoava hinos ao Senhor Deus de Israel que se dignou escolher-te como co-partícipe em Sua obra redentora. Assim, glorioso São José, por causa de teus muitos merecimentos e por causa da presença santificante de Jesus e de Maria, angarias da Trindade Santíssima o glorioso e consolador título e missão de “Padroeiro da Boa Morte”. Desde já, São José, encomendamos a ti o momento de nossa morte. Não sabemos, glorioso santo, onde, quando ou como ela virá. Pedimos apenas que seja na companhia de Jesus e de Maria e também da tua, São José.
Assim, após expirares entre os louvores das multidões angélicas, por elas és levado à mansão dos mortos, para o seio de Abraão e para o convívio dos Patriarcas, dos Profetas e dos demais justos da Antiga Aliança. Penso com que grande alegria essas almas não devem ter te recebido. Para elas tu eras como que um luminoso farol a lhes apontar a iminente saída daquele local de espera.

Ó São José, justo varão de Israel, homem santo e bondoso, tu és nosso pai, nosso tutor e poderoso intercessor perante Jesus e Maria. Sede sempre nosso auxílio, em todos os perigos e necessidades. Livrai-nos dos ataques do maligno, do pecado e do perigo de nos perdermos. Rogue por nós, agora e na hora de nossa morte! Rogue por toda Igreja Católica, a ti confiada pelo papa e rogue pelo mundo inteiro, tão amado por Deus. Amém, amém, amém!

Giovani Carvalho Mendes, ocds
Comunidade Rainha do Carmelo (Fortaleza-CE)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010



O GLORIOSO SÃO JOSÉ


Deus humanado quis ter um pai na terra, quis ter uma família; quis começar a Redenção do mundo pela família; por isso escolheu e adotou um pai. Foi uma adoção à avessas: não foi um pai que adotou um filho, mas o contrário.
E escolheu o Santo Jose´. O homem justo; o único preparado para ser Esposo da Mãe de Deus.
Santo Afonso de Ligório (1696-1787), doutor da Igreja, garantia que todo dom ou privilégio que Deus concedeu a outro Santo também o concedeu a São José.
São Francisco de Sales (1567-1655),doutor da Igreja; diz que “São José ultrapassou, na pureza, os Anjos da mais alta hierarquia”.
São Jerônimo (348-420), doutor da Igreja: “José mereceu o nome de “Justo”, porque possuía de modo perfeito todas as virtudes”.
São Bernardo (1090-1153),doutor da Igreja, diz de São José: “De sua vocação, considerai a multiplicidade, a excelência, a sublimidade dos dons sobrenaturais com que foi enriquecido por Deus”.
São Basílio Magno (330-369), doutor da Igreja, diz: “Ainda que José tratasse sua mulher com todo afeto e amor e com todo o cuidado próprio dos cônjuges, entretanto se abstiveram dos atos conjugais” (Tratado da Virgem Santíssima, BAC, Madri, 1952, p. 36). Santa Teresa de Ávila (1515-1582), doutora da Igreja :“Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter.

Quando José quis abandonar Maria no silêncio, para não difamá-la, o Anjo lhe diz: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco. Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus.”
Ele era de fato filho legal de José: “Este não é o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E suas irmãs não estão entre nós?” Observe que apenas o “carpinteiro” é chamado de “o filho de Maria” e não “um dos filhos de Maria”.
Para avaliarmos a grandeza de São José consideremos que Deus, ao escolher alguém para uma missão, dá-lhe graças proporcionais para realizá-la. Além do quê, quanto mais alguém se aproxima da fonte da graça, tanto mais dela participa. Ora, São José esteve intimamente ligado à própria fonte, Jesus Cristo, e à Medianeira de todas as graças, Maria Santíssima.
A missão e predestinação de São José e da Virgem Maria, requeriam uma santidade total; logo, por esta missão totalmente divina de S. José, Deus lhe concedeu todas as graças.
A teologia sobre São José se baseia em dois pontos fundamentas: primeiro, sua união com Maria pelo matrimônio; segundo, seu ministério paternal junto de Jesus Cristo. Ora, toda a mariologia se apóia em um princípio fundamental: Maria é a mãe de Deus. Esta é a razão de todas as graças e privilégios de Maria Santíssima.
São Paulo diz que: “A cada um de nós foi dada a graça na medida do dom de Cristo” (Ef 4, 7). Só Jesus teve a plenitude absoluta da graça, quanto à sua essência e seus efeitos, pela união estreitíssima de sua alma com a divindade. A plenitude relativa de graça, a que chegam os santos, equivale ao que os teólogos chamam de “confirmação em graça”. Quer dizer, certa impecabilidade, que se dá mediante um grande aumento da caridade. A esta se soma uma proteção especial de Deus, que afasta as ocasiões de pecado e fortalece a alma quando necessário, de modo a preservá-la do pecado mortal e até de pecado venial deliberado.
São José, pela sua íntima relação com o mesmo Deus e com Sua Mãe foi confirmado em graça, pelo menos a partir do momento de suas bodas com a Virgem Santíssima.
São José exerceu o ofício de pai dentro da Sagrada Família. A ele coube a honra de dar o Nome ao seu Filho legal no dia da circuncisão, como lhe foi dito pelo anjo. A ele coube também zelar pela segurança de Jesus-Menino e de sua Mãe. E, em todo momento, Jesus obedeceu a São José como a verdadeiro pai (Lc 2, 51).São José fez na Terra o lugar do Pai do Céu diante do Menino Jesus. Não pode haver honrar maior para um homem na Terra.
Na Encíclica “Quamquam pluries”, Leão XIII expõs de maneira profunda a doutrina sobre São José, desde os fundamentos de sua excelsa dignidade e glória até a razão própria e singular de ser proclamado Patrono de toda a Igreja, em 1870 pelo Papa Pio IX, bem como modelo e advogado de todas as famílias e lares cristãos.
O Papa Bento XV, ao cumprir-se meio século da proclamação de São José como Patrono da Igreja universal, em seu motu proprio “Bonum sane”, recordando a necessidade e eficácia da devoção ao santo Patriarca, propõe suas virtudes de modo especial às famílias pobres e aos trabalhadores humildes, tão descristianizados em nossa época neo-pagã.
Diante do presépio, adorando ao Menino Jesus, Salvador da humanidade, venerando Maria, a Mãe santíssima do Senhor, não nos esqueçamos do grande e glorioso São José, que tudo pode diante do Seu Filho que Reina.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Lembrai-Vos, São José



"Lembrai-vos,
oh! Puríssimo Esposo da Virgem Maria,
que jamais se ouviu dizer que alguém tivesse invocado vossa proteção,
implorado vosso socorro e não fosse por vós atendido.
Com esta confiança, venho à vossa presença;
a vós com fervor me recomendo.
Não desprezeis as minhas súplicas, pai adotivo do Redentor,
mas dignai-vos de acolhê-las piedosamente."

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Natal com São José




"O clima de silêncio que acompanha tudo o que se refere à figura de José estende-se também ao trabalho de carpinteiro na casa de Nazaré. É um silêncio que desvenda de maneira especial o perfil interior desta figura" (Venerável João Paulo II).




"Os evangelhos falam exclusivamente daquilo que José «fez»; no entanto, permitem-nos auscultar nas suas «ações», envolvidas pelo silêncio, um clima de profunda contemplação. José estava cotidianamente em contato com o mistério «escondido desde todos os séculos», que «estabeleceu a Sua morada» sob o teto da sua casa (Col 1, 26; Jo 1, 14).



Uma vez que o amor «paterno» de José não podia deixar de influir sobre o amor «filial» de Jesus e, reciprocamente, o amor «filial» de Jesus não podia deixar de influir sobre o amor «paterno» de José, como chegar a conhecer as profundezas desta singularíssima relação? As almas mais sensíveis aos impulsos do amor divino vêem com muita razão em José um exemplo luminoso de vida interior.



Mais ainda, a aparente tensão entre a vida ativa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade e as exigências do amor, podemos dizer que José experimentou, quer o amor da verdade, ou seja, o puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer as exigências do amor, isto é, o amor igualmente puro do serviço, requerido pela protecção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade (Venerável João Paulo II, Carta apostólica «Redemptoris Custos», §§ 25-27).


São José, rogai por nós!

sábado, 21 de novembro de 2009

O QUE DIZ SANTA TERESA DE JESUS SOBRE SÃO JOSÉ



Santa Teresa de Jesus dizia: “Tomei a São José por meu advogado e protetor e não me lembro de ter-lhe pedido algo que não me atendesse. É de pasmar a enormidade de graças que Deus me tem concedido por sua intercessão e o número de perigos da alma e do corpo de que tem me livrado.

Quisera persuadir o mundo inteiro a ser devoto deste glorioso Santo pela grande experiência que tenho dos bens que ele concede. Contento-me, porém, em pedir, pelo amor de Deus, que o experimente quem nele crer e verá por si mesmo, que imensos bens é recomendar-se o cristão ao glorioso Patriarca e ser seu devoto”.

Santa Teresa de Jesus, ao dar as suas filhas, Maria por Mãe e Modelo, deixou-lhes, por Pai e Senhor, São José. A ele quer a Santa que as carmelitas recorram em suas necessidades, pois sabe por experiência que em todas socorre. Assim como o Senhor lhe esteve presente na terra, assim faz no céu tudo quanto lhe pede. Deseja, particularmente, que o tomem por mestre de oração e aprendam dele o trato contínuo com o Senhor, e as virtudes próprias da vida escondida com Cristo em Deus.



terça-feira, 6 de outubro de 2009

AO NOSSO PAI SÃO JOSÉ


Música composta por Santa Teresinha do Menino Jesus em 1894 para Irmã Maria da Encarnação

José, a vossa vida admirável
Passou-se na pobreza,
Mas, de Jesus e de Maria
Vós contempláveis a beleza.


Refrão:
José, ó terno Pai
Protegei o Carmelo
Que as vossas filhas nesta terra
Saboreiem sempre a paz do Céu! (bis)


O Filho de Deus, na sua infância
Mais de uma vez com felicidade,
Submisso à vossa obediência
Descansou sobre o vosso coração.


Como vós na solidão
Nós servimos Maria e Jesus,
Agradar-Lhes é a nossa única ciência
Não desejamos nada mais...


Santa Teresa nossa Mãe
Invocava-vos com amor
Ela garante que a sua oração
Vós a ouvistes sempre.


Após o exílio desta vida
Disso temos a doce esperança
Com Maria nossa Mãe querida
São José, iremos ver-vos.


Último refrão:
Abençoai, terno Pai
O nosso pequeno Carmelo,
Depois do exílio desta terra
Reunamo-nos lá no Céu! (bis)


(Música: Queremos Deus)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

José dos lábios fechados



José é um daqueles seres que me dão medo, não porque sejam maus e perigosos ou de uma superioridade esmagadora, mas porque me parecem misteriosos como Deus. José, o homem dos lábios fechados, o homem do interior! Se ao menos tivesse dito alguma coisa, uma palavra, poderíamos talvez adivinhar o fundo da sua alma, o sentido da sua estranha vida. Ao invés nada, nunca nada, nem no momento da tempestade, do “temporal”, como dizem os nossos irmãos gregos, nem por ocasião do nascimento do Menino, nem em Jerusalém quando se apresentava ridiculamente com os dois pombinhos de nada que serviriam para resgatar o Cordeiro... Está simplesmente ali parado, com os grandes olhos doces e tranqüilos, ainda mais arregalados (ou talvez tanto quanto) daqueles de sua cara esposa, permanece a ouvir cantar o velho Simeão que está ali para morrer não tendo mais nenhuma razão para continuar do momento que vê... Nada no momento da fuga para o Egito e nada em Nazaré, nem quando o menino se perdeu. Depois, absolutamente mais nada... o desaparecimento total e definitivo na ponta dos pés, como os grandes tímidos que não querem que se lhes dê atenção, que se fale deles. Sim, tudo isto me dá muito que pensar!
As primeiras idades cristãs não buscaram quebrar este silêncio. Só Bernardo porá uma tímida pergunta: “Quis? Qualis?” “Quem é? Que homem é?” Nada mais. Precisa esperar
os tempos modernos para que se queira a todos os custos saber alguma coisa, se abra sem mais uma cátedra de “joseologia” (ficai tranqüilos: é no Canadá!). E José, apesar desse barulho estranho, indiscreto, não diz nada e não dirá nada, não fará revelações, permanecerá o homem dos lábios fechados, o homem do interior. Por quê, portanto, embrenhar-me a falar dele? Por quê não deixá-lo no seu silêncio, como deixo os peixes no mar? Depois de tudo, se isto lhe dá prazer, se deixa dizer e fazer sem abrir os lábios...
Mas não é dele que quero falar, nem espero que me fale. Quero somente contemplar o seu silêncio, envolver-me e impregnar-me a ponto de suplicá-lo de não dizer-nos absolutamente nunca nada, de não aparecer-nos nunca... José dos lábios fechados é o homem do interior; faz parte daquela coorte de silenciosos para os quais falar é perder tempo, é sobretudo trair o Intraduzível, o Inefável. Naturalmente, quando estas pessoas dizem qualquer coisa, arriscam de fazer tremer o mundo, como Santo Tomás de Aquino, aquele boi mudo da Sicília de quem gozavam os estudantes de Mestre Alberto na Universidade de Paris.
José dos lábios fechados é o homem que começa lá onde Jó termina, quero dizer que nasce com a mão sobre a boca. Tem um sentido enorme de Deus, do excesso do seu Ser e da sua loucura de amor. Não o vejo pedir explicações ao Inexplicável. A única vez na qual foi verdadeiramente ultrapassado, quis unicamente desaparecer, sem uma palavra: “Vai, minha amada”. O anjo de Deus simplesmente o sacudiu. Depois de tudo, José é um homem: “Não temas, portanto, de tomar Maria como esposa; o que nasceu nela vem do Espírito Santo” (Mt 1,20). Depois do retorno do Egito, José desaparece. Creiam-me: esta morte, este transitus do beato José não tem nada de triste. Não houve nenhuma declaração, nenhuma novíssima verba (novíssimas palavras) do momento que não tinham tido priora verba (primeiras palavras). O seu silêncio é o mesmo de Deus. É cheio da violência do Amor.

L.-A. Lassus, Pregare è una festa, pp.80-82
Traduzido do livro “Letture dei Giorni”, Piemme, pelo Pe Márcio Rigolin.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

LADAINHA A SÃO JOSÉ



SENHOR, tende piedade de nós.
JESUS CRISTO, tende piedade de nós.
SENHOR, tende piedade de nós.
JESUS CRISTO, ouvi-nos.
JESUS CRISTO, atendei-nos.
DEUS PAI, tende piedade de nós,
DEUS FILHO, Redentor do Mundo, tende piedade ...
ESPÍRITO SANTO, que sois DEUS, tende piedade...
SANTÍSSIMA TRINDADE que sois um só DEUS, tende piedade de nós.
Santa Maria, rogai por nós,
São José, rogai por nós,
Ilustre descendente de Davi, rogai por nós,
Luz dos Patriarcas, rogai por nós,
Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós,
Pai Nutrício do Filho de DEUS, rogai por nós,
Insígne defensor de CRISTO, rogai por nós,
Chefe da Sagrada Família, rogai por nós,
José Justíssimo, rogai por nós,
José castíssimo, rogai por nós,
José prudentíssimo, rogai por nós,
José fortíssimo, rogai por nós,
José obedientíssimo, rogai por nós,
José fidelíssimo, rogai por nós,
Espelho de paciência, rogai por nós,
Amador da pobreza, rogai por nós,
Modelo dos operários, rogai por nós,
Honra da vida doméstica, rogai por nós,
Guarda das virgens, rogai por nós,
Amparo das famílias, rogai por nós,
Alívio dos infelizes, rogai por nós,
Esperança dos Enfermos, rogai por nós,
Padroeiro dos moribundos, rogai por nós,
Terror dos demônios, rogai por nós,
Protetor da Santa Igreja, rogai por nós,

Cordeiro de DEUS, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, SENHOR.
Cordeiro de DEUS, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, SENHOR.
Cordeiro de DEUS, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, SENHOR.

V/ Ele o constituiu Senhor de Sua casa.
R/ E o fez Príncipe de todas as suas possessões.

Oremos: Ó DEUS, que, por uma inefável providência, vos dignastes escolher, o bem-aventurado São José, para esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo, que na Terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no Céu, como intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.
Amém.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

NOVENA DE SÃO JOSÉ MEDITADA COM PALAVRAS DE SANTA TERESA DE ÁVILA


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Oração a São José (rezar todos os dias da novena)
Oh! Glorioso São José fiel seguidor de Jesus Cristo, a vos elevamos nossos corações e nossas mãos para implorar vossa poderosa intercessão em obter do benigno Coração de Jesus todos os auxílios e graças necessárias ao nosso bem-estar espiritual e temporal, particularmente a graça de uma morte feliz e o especial favor que agora vos pedimos (mencionar o pedido). Oh! Guardião dos encarnados do mundo, sentimo-nos animados e confiantes de que vossas orações em nosso favor serão graciosamente ouvidas ao trono de Deus. Oh! Glorioso São José, pelo amor que tendes por Jesus Cristo e pela glória do Seu nome, escutai as nossas orações e dai-nos o que pedimos. Amém.

PRIMEIRO DIA:
Oh! Glorioso São José, com sentimentos de ilimitada confiança, vos imploramos que abençoeis esta novena que começamos em vossa honra. "Vós jamais sois invocado em vão", dizia Santa Teresa do Menino Jesus. Fazei por mim, portanto, o mesmo o que fizestes pela esposa do Sagrado Coração de Jesus e graciosamente escutai-me assim como a Ela escutastes. Amém.
Frase de Santa Teresa sobre São José:
“Tomei por advogado o glorioso São José, e encomendei-me muito a ele. Não me lembro de lhe haver, até o presente momento, suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são as grandes mercês que Deus me tem feito por intermédio deste grande santo, e os perigos dos quais tem me livrado, tanto do corpo como da alma.” (Livro da Vida , cap 6)

São José, rogai por nós!

SEGUNDO DIA:
Oh! Abençoado São José, pai carinhoso, fiel guardião de Jesus, casto esposo da Mãe de Deus, nós oramos e vos imploramos que ofereçais a Deus, o Pai, Seu divino Filho, banhado em Sangue na Cruz por nós, pecadores, e pelo Trino Nome Sagrado de Jesus obtenhais do Pai Eterno o favor pelo qual imploramos vossa intercessão (mencionar o pedido). Pelos esplendores da eternidade, não vos esqueçais das dores daqueles que rezam, daqueles que choram; permitais que, através de vossas orações e as de vossa Sacratíssima Esposa, o Coração de Jesus seja comovido à piedade e ao perdão. Amém.
Frase de Santa Teresa de Jesus sobre São José:
“Não conheço pessoa que deveras seja devotada ao glorioso São José e lhe renda particulares obséquios, que eu não a veja progredir na virtude, porque muitíssima ajuda ele dá as almas que se encomendam ao seu patrocínio.”


São José, rogai por nós!

TERCEIRO DIA:
Abençoado São José, acendei em nossos gélidos corações uma faísca da vossa caridade. Que Deus seja sempre o primeiro e único objeto de nossas afeições. Mantende nossas almas sempre na graça santificada e, se tivermos a infelicidade de perdê-la, dai-nos a força para reencontrá-la imediatamente, através de sincero arrependimento. Ajudai-nos para que o amor de nosso Deus nos mantenha sempre unidos a Ele. Amém. Oh! Glorioso São José, pelo amor que tendes por Jesus Cristo e pela Glória de Seu nome, escutai as nossas preces e concedei-nos o que Vos pedimos (mencionar o pedido). Amém
Frase de Santa Teresa sobre São José:
“Não sei verdadeiramente como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo em que tanto passou com o Menino Jesus, sem dar graças a São José pelo auxílio que lhes prestou.”


São José, rogai por nós!

QUARTO DIA:
São José, orgulho do Céu, esperança infalível para nossas vidas, e apoio àqueles na terra, graciosamente aceitai nossa oração de louvor. Fostes nomeado esposo da casta Virgem pelo Criador do mundo. Ele quis que vós fôsseis chamado "pai" do Mundo e nos servisse como agente de nossa salvação. Que o Deus Trino que outorgou a vós grandes honras celestiais, seja louvado para sempre. E que Ele nos conceda pelos vossos méritos a felicidade de uma vida abençoada e uma favorável resposta aos nossos pedidos. Amém.
Frase de Santa Teresa sobre São José:
“A outros santos parece ter dado o Senhor graça para socorrer numa determinada necessidade; quanto a São José, tenho experiência de que socorre em todas. Quer o Senhor dar a entender que, como lhe foi sujeito na terra – pois São José, na qualidade de pai adotivo o podia mandar – assim no céu atende a todos os pedidos.” (Livro da Vida , cap 6)


São José, rogai por nós!


QUINTO DIA:
Oh! Sagrado São José, que lição vossa vida é para nós, sempre tão ávido por aparecer tão ansioso para ostentar aos olhos dos homens as graças que devemos inteiramente à liberalidade de Deus. Além do favor especial pelo qual declaramos nesta novena (mencionar o pedido), concedei que possamos atribuir a Deus à glória de todas as coisas; que amemos a vida humilde e silenciosa; que não desejemos nenhuma outra posição senão a que nos foi concedida pela Providência e que sempre sejamos dóceis instrumentos nas mãos de Deus. Amém.

Ao refletir sobre a humildade, Santa Teresa cita São José:
“Quem não encontrar mestre que o ensine, tome este glorioso Santo por mestre e, não errará no caminho.”


São José, rogai por nós


SEXTO DIA:
Oh! Glorioso São José, nomeado pelo Pai Eterno como o guardião e protetor da vida de Jesus Cristo, o conforto e o apoio de vossa Sagrada Mãe, e o instrumento em Seu grande propósito para a redenção da humanidade; vós que tivésseis a felicidade de viver com Jesus e Maria, e de morrer em Seus braços, sê comovido pela confiança que depositamos em vós, e obtenha para nós, do Todo Poderoso, o favor particular que humildemente pedimos pela vossa intercessão (mencionar o pedido). Amém.
Santa Teresa animando certa pessoa a andar por terras desconhecidas, escreveu algo que serve para meditarmos quando temos que andar por caminhos turbulentos e difíceis em nossas vidas:
“Tenha ânimo para andar por essas terras estranhas, lembrando-se de como viajou Nossa Senhora quando foi ao Egito, e também nosso pai São José.”


São José, rogai por nós!


SÉTIMO DIA:
Oh! Fiel e prudente São José, vigiai nossa fraqueza e nossa inexperiência; concedei-nos a prudência que nos faz lembrar de nosso fim, dirigi nossos passos e nos protegei de todo perigo. Rogai por nós, então, grande Santo, e através de vosso amor por Jesus e Maria, e do amor d´Ele por vós, concedais o favor que vos pedimos nesta novena (mencionar o pedido). Amém.
Frase de Santa Teresa sobre São José:
“Sejam devotas de São José, ele pode muito.”



São José, rogai por nós!


OITAVO DIA:
Oh! Abençoado José, a quem foi concedido não apenas ver e ouvir o Deus que muitos reis ansiaram em ver e não viram; ouvir e não ouviram; mas também carregá-Lo em vossos braços, abraçá-Lo, vesti-Lo, guardá-Lo e defendê-Lo, vinde em nosso auxílio e intercedei junto a Ele para olhar favoravelmente para este pedido (mencionar o pedido). Amém.
O 1º Carmelo reformado recebeu o nome de São José, escolhido por Santa Teresa de Jesus e logo após esta fundação feita por Santa Teresa, ela deveria se afastar da fundação por um curto período. Neste período de sua vida ela fez a seguinte prece:
“Fiz oração suplicando ao Senhor que me favorecesse e a meu pai São José, que me trouxesse de novo à sua casa.” (Livro da Vida, cap 36).


São José, rogai por nós!


NONO DIA:
Oh! Bondoso São José, ajudai-nos a ser como vós, amável com aqueles cuja ternura sustenta-se sobre eles; ajudai-nos a dar àqueles que buscam vosso auxílio, a força para que permaneçam inabaláveis. Dai-nos vossa fé, para que possamos ver o verdadeiro brilho sobre as vitórias das forças do bem. Dai-nos vossa esperança para que permaneçamos seguros, intocáveis pela dúvida, firmes para suportar. Concedei-nos vosso amor para que, enquanto os anos aumentarem, um coração compreensivo traga-nos a paz. Permiti-nos que a vossa pureza esteja conosco na hora da morte e encontremo-nos intocados pelo sopro do mal. Permiti, por vosso amor, não recusarmos ao trabalho honesto. Dai-nos vosso amor pela pobreza para que vivamos satisfeitos, independente da riqueza. Dai-nos vossa coragem para que sejamos fortes; dai-nos vossa mansidão para confessar nossos pecados. Dai-nos vossa paciência para que possamos possuir o reino das almas santas. Ajudai-nos, querido Santo, a bem viver para que, quando morrermos possamos passar convosco para junto de Jesus e seus amigos. Oh! Glorioso São José, escutai as nossas preces e intercedei pelos nossos pedidos. Amém.
Quando se faria, por meio de Santa Teresa de Jesus, a fundação do 1º Carmelo reformado ela recebeu do Senhor as seguintes palavras em oração:
“Disse-me o Senhor que eu não deixasse de fundar o mosteiro e neste seria Ele muito bem servido. Disse-me que devia ser dedicado a São José; que este glorioso santo nos guardaria à uma porta, Nossa Senhora à outra, e Ele, Cristo, andaria conosco: que a nova casa se tornaria uma estrela donde se irradiaria grande esplendor.” (Livro da Vida, cap 32).


São José, rogai por nós!
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Fonte: Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo
(http://www.carmelitasmensageiras.com.br/artigos_detalhes.asp?codFin=27&codConteudo=318)

sábado, 15 de agosto de 2009

Meu São José

Homem pobre,
trabalhador
Missão nobre:
pai do Amor

Homem justo,
servo fiel,
pai provedor
e defensor

Um esposo
Amoroso,
forte, casto
e zeloso

Padroeiro
da Igreja
e Patrono
do Carmelo

Meu São José,
interceda
por um mundo
bom e belo!


Luciano Dídimo

19/03/2009